Contar com meia dúzia de cliques ou com um especialista em sua próxima aventura?

Da minha perspectiva de designer de viagens de luxo, eu, naturalmente, preciso defender toda a minha classe, afirmando que organizar um itinerário para um viajante, e não para um turista, exige experiência e um alto nível de profissionalismo e qualificação que vai além de um par de cliques ou um cupom-desconto.

Da minha perspectiva pessoal – considero-me extremamente tecnológico e clique-friendly, adoro cliques para ir ver amigos rapidamente pela ponte-aérea, fazer compras no supermercado pela madrugada afora após operar um destino exótico e seu abissal fuso horário, além de ser grande fã de um cupom-desconto para itens do tipo detergente lava-louças aromatizado!

No nosso chamado mundo globalizado e hiper-clicável, a qualidade do serviço, expertise e tempo dedicado ao cliente, são os que fazem a diferença.

Eu também poderia comparar uma consultoria de viagens – que não é uma ONG, é uma empresa e, portanto, desde os primórdios do capitalismo cobra pelos serviços prestados – ao seu cabeleireiro, por exemplo … Com tantas facilidades, hoje em dia você pode sem maiores problemas, comprar uma caixinha de tinta (tipo essas que lhe garantem um frasquinho de shampoo grátis na confecção) e pintar o cabelo em casa … os resultados podem satisfazê-lo sejam lá quais forem, mas se você vai até o seu coiffeur favorito ou cobiçado, daqueles que bombam nas famigeradas redes sociais ou na tv penteando onze entre dez estrelas, em base a sua experiência e sua técnica, ele vai estudar o seu biótipo, seu estilo, seu tom de pele e te ajudará a encontrar a melhor cor para a imagem que você deseja obtendo transversalmente soluções que podem levar você a um resultado que talvez exceda até mesmo às suas expectativas, e você ficará feliz em pagar por isso e, no mínimo, não precisará usar tanto detergente para limpar a pia de seu banheiro imaculado…

O que pode estar acontecendo, na minha opinião, é que hoje em dia, o desenvolvimento de um itinerário personalizado é, de alguma forma, equivocadamente comparado a um par de mercadorias diretamente das prateleiras ao seu carrinho de compras, sem critérios, ou melhor, quando o critério mais importante é o desconto.

Pela minha própria experiência, felizmente, muitas vezes eu interajo com clientes que preferem ir a um cabeleireiro, sorte minha, certo?  Esses clientes acreditam que uma viagem, uma exploração, uma descoberta precisa muito mais de um carrinho de supermercado! Faz toda a diferença …

Eu sou uma pessoa de sorte, que teve a oportunidade de visitar quatro continentes e mais de 30 países and counting, o que, na minha profissão, pode significar no mínimo conhecimento e a realização daquele sonho do menino que desenhava roteiros inimagináveis e completamente alheios à melhor rota, no Atlas – e que no futuro se o viessem lhe alcunhar como viajado, esta seria a quintessência do elogio.

Respeito profundamente todos os profissionais sérios, sejam eles industriais ou artesanais, porém pergunto-me: se eu pedir a alguns portais para estudar uma experiência de viagem com base no meu perfil, seria viável, fatível, eu teria acesso a um verdadeiro especialista naquele destino? eu não estaria sujeito a investir no valor a ser cobrado por essa personalização? Nesse caso, por que de alguma forma alguns gostam de convidar peritos para beber de seus conhecimentos, auto-experiências e no final, preferem clicar algumas prateleiras e economizar algum dinheiro, isso é fair play?

O turismo é um negócio sério, Agentes ou Designers de Viagens são trabalhadores duros que não vendem camas e assentos nos aviões somente. Nós somos uma parte ativa, muitas vezes proativa, da construção de um sonho. Nós vendemos o único produto no qual o cliente não leva nada de concreto com eles … Somente experiências, preferencialmente, inesquecivelmente positivas.

Então, ou se vai a uma boutique de luxo – desde que não seja no período de saldos em Milão, por exemplo, ou se vai à feira.  Ou compre na 25 de Março ou compre na Oscar Freire, no Saara ou na Garcia D’Ávila, todas as opções podem ser o que você busca e até divertidas.

Mas, acredito que, se você optar por uma Boutique, sempre tenha em mente, meu querido, ao ser seduzido pelo atendente de vendas, ao menos que o gole da borbulhante cristal já estará na sua conta e – nunca pretenda ver itens das coleções atuais nos outlets!

Entre tudo o que você escolheu, entre tudo o que eu escolhi: o melhor é:  não existe uma posição concreta quando estamos lidando com a coisa mais preciosa que temos na vida: o tempo.

O tempo é precioso, até o do seu consultor… Talvez, próximas gerações vão nos redimir, os deuses do turismo abençoarão e os novos tempos nos verão como ONGs, quem sabe, mas até lá, pensemos duas vezes antes de dizer que a principal diferença entre um agente de viagens / operador / portais é apenas “salvar” o dinheiro … não, não é!

Anúncios